domingo, 13 de janeiro de 2013

Drogas legais e merdas

Não sei se já falei aqui da paranóica que já fui em relação a drogas. Talvez um livro numa fase da minha vida me tenha ensinado que as drogas são mesmo uma merda. Filhos da droga. Digam o que disserem, não há melhor livro que este. E eu sou daquelas pessoas que conta pelos dedos das mãos o número de livros que leu na vida. Mas nem que tivesse lido todos os livros da biblioteca do Convento de Mafra, os Filhos da Droga ia e vai ser sempre o melhor livro que li. E por uma razão muito simples. Li-o na fase da adolescência em que o desejo de experimentar novas cenas afecta quase todos os que por esta fase passam. E enquanto uns começavam a beber uns finos e tal, outros a ir a bares à noite, a dar umas passas num cigarro ou num charro, eu era daquelas que se saía, era para dar uma volta no jardim. Se bebia, era Ice Tea. E fumar era acto que achava deplorável. Isto porque aprendi na altura certa que com as drogas não se brinca. E como as drogas, qualquer outra coisa que provoque o vício. Também é verdade que sempre fui uma criança responsável, boa aluna e nada problemática, e o período pré-adolescência também conta. Mas quantos são muito certinhos e, de um momento para o outro, se tornam nuns viciados? Muitos, de mais até.
Com o passar do tempo, fui crescendo e percebendo determinadas situações. O trauma/choque daquilo que li foi-se desvanecendo, mas nunca sem esquecer a mensagem principal. Hoje sou uma pessoa diferente. Bebo sem qualquer problema. Fumar, admito que já fumei numa festa ou outra. Fora disso, tornar-me viciada? Nunca. Para já não tenho dinheiro para sustentar o vício. Depois só se vicia quem é ignorante (e desculpem-me os fumadores).
Bem, toda esta conversa, que se alongou mais do que eu previa, porque estava eu no Facebook e aparece-me isto no feed. Não é novidade nenhuma que hoje em dia, o que anda muito em voga, são as drogas legais. Drogas que se compram ao preço da chuva e que têm um nível químico e de toxicidade tal que são capazes de viciar logo na primeira vez que se consomem. Capazes de transformar um ser humano num bicho apático, dependente e destruído como o rapaz que relata essa história. A vida é de cada um. Cabe a cada um fazer as suas escolhas. O que me assusta são as escolhas que os jovens de hoje em dia fazem. Na minha altura, era normal num grupo de vinte perderem-se três. Actualmente, normal é num grupo de vinte... Perderem-se os vinte. E eu sou de 94. As gerações actuais não são assim tão mais novas que eu. No entanto, é assustadora a diferença de mentalidades e escolhas. Falo disto, mas tenho plena noção que não sou a pessoa mais certa do mundo, mas juro que ao que vejo hoje em dia, considero-me a filha perfeita, pura, casta e santa que "qualquer" pai sonha ter.

4 comentários:

Make It Happen disse...

Adorei o texto Inês :)

- Dii - disse...

o meu irmão tem 14 anos e assusta-me a diferença dos colegas dele para os que eu tinha... as mentalidades... as miudas são todas umas oferecidas e eles com a mania dos bad boys...
é assustador!!

start disse...

Nunca li os Filhos da Droga (mas sei de que se trata) no entanto nunca tive qualquer vontade de experimentar drogas (seja qual for): tabaco não suporto sequer que fumem ao pé de mim, alcool não bebo, nem quando saio à noite (vá, um redbull... isso conta?), e restantes drogas NUNCA, JAMAIS.
E não sou assim tão mais velha que tu, e a diferença que também noto para a geração a seguir é assustadora. Tenho uma irmã com 13 anos e vejo as colegas dela fazerem coisas (desde a maneira de vestir, a maneira de se comportar, as coisas que querem) que na minha altura eram perfeitamente impensaveis... E sim, isto assusta-me!

Parabéns pelo texto, e desculpa o testamento :$ **

Bolacha Sofia disse...

"os filhos da droga" foi dos primeiros livros a sério de que gostei. É um dos meus preferidos na minha fase de pré-adolescencia sem dúvida alguma. já li e reli :D