quinta-feira, 6 de junho de 2013

A noite de ontem

Encontro-me neste momento em casa, depois de uma manhã de aulas. Sentada na minha secretária a escrever este post lembro-me da noite de ontem. Especialmente da forma como acabou. Depois de um banho de água fria, porque a caldeira de minha casa avariou pela milésima vez este ano, enquanto vestia o pijama e via o momento de me deitar e dormir cada vez mais perto, eis que começo a sentir uma agitação por cima do meu quarto, no 1º esquerdo. E de agitação passou a gritos. "-Larga-me! Larga-me! Seu porco, que nojo!". Alguém, que eu não sei quem, uma mulher, aos berros, por cima de mim. Fiquei em pânico, imóvel no sítio onde estava, a pensar em mil e uma maneiras de a ajudar mas, ao mesmo tempo, a sentir-me completamente inútil, pois nada do que eu fizesse ia mudar a situação. Egoísta? Talvez. Mas o que quer que fosse, já tinha acontecido, ou já estava a acontecer. Eu pouco iria mudar o ocorrido. Subo ao andar de cima, bato na porta e peço explicações? Chamo a polícia? Qual é o número? Perguntas às quais não obtive resposta. Até que os berros acabaram, a agitação deixou de se sentir e fez-se silêncio em todo o prédio.
Finalmente deitei-me, assustada, angustiada. E acima de tudo pensativa. Porque enquanto nós estamos a chorar por algo que não vale a pena, há milhares de pessoas no mundo com bem mais motivos para tal e, no entanto, andam em silêncio e encaram a vida com um sorriso, mesmo que este seja falso.

1 comentário:

Roger disse...

Normalmente, deve-se chamar a Polícia, ligando para o 112 (a chamada vai para a PSP, em caso de emergência médica é que é encaminhada para o INEM). Pode ser uma situação de violência doméstica ou tentativa de violação :/ Esperemos que não tenha sido nenhum dos casos.

De qualquer forma, fica o conselho do melhor procedimento :P